Confiança
03 de Agosto
O Templo
o canto do cuco
a flor de raposa
a branca cegonha
a verticalidade dos olmos
o toque das Trindades
a hora do crepúsculo
a telha vã
a frescura da madrugada
o grito na calçada ...
quando as noites são maiores do que o sono
e se espera a luz que não rompe,
a manhã que demora
e a esperança que escurece.
Olho para além dos sinais visíveis do horizonte.
Há um caos na trama dos dias apressados.
O pão há muito não tem o sabor da seara.
No verão o aroma dos figos e a urze já não transpõe a ombreira da porta.
Nos muros caiados a violência do sol atinge o olhar incauto dos que amam as
sombras.
Nas mãos de toda a gente lateja um ritmo veloz
um impulso extraviado um gesto evasivo.
Instantes que perturbam a incerta
imensidade do tempo.
GraçaPires