Notícias da aldeia
A aldeia dói-me… como se, há mil anos, aqui vivesse:
... as ruínas dos casebres, no forno apagado, no moinho sombrio, no ribeiro que secou… nas lavadeiras que silenciaram o dizer…
… todos partiram, sem acomodar as vacas, sem apascentar o rebanho, sem fazer a segada, sem malhar o trigo… sem embebedar as mágoas na taberna, ao domingo à tarde…
… até as mulheres se esqueceram de ralhar com as vizinhas por causa das pitas que lhes debicavam o renovo!... e foram-se embora… entardecia…
… todos se foram, deixando dependurado o eco longínquo dos gritos que se calaram…
… e fiquei eu… sombra de ninguém… silenciosamente à espera do vento de feição… e das asas da madrugada… para partir ..
...nesse dia começará a primavera!... e haverá ramos floridos em todas as macieiras… e goivos em todos os caminhos!
Fernando Calado