quarta-feira, agosto 13, 2025




Notícias da aldeia 

A aldeia dói-me… como se, há mil anos, aqui vivesse: 
... as ruínas dos casebres, no forno apagado, no moinho sombrio, no ribeiro que secou… nas lavadeiras que silenciaram o dizer… 
… todos partiram, sem acomodar as vacas, sem apascentar o rebanho, sem fazer a segada, sem malhar o trigo… sem embebedar as mágoas na taberna, ao domingo à tarde… 
… até as mulheres se esqueceram de ralhar com as vizinhas por causa das pitas que lhes debicavam o renovo!... e foram-se embora… entardecia… 
… todos se foram, deixando dependurado o eco longínquo dos gritos que se calaram… 
… e fiquei eu… sombra de ninguém… silenciosamente à espera do vento de feição… e das asas da madrugada… para partir .. 

...nesse dia começará a primavera!... e haverá ramos floridos em todas as macieiras… e goivos em todos os caminhos!

Fernando Calado



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