quinta-feira, março 20, 2025




O vento sopra contra 
As janelas fechadas 
Na planície imensa 
Na planície absorta 
Na planície que está morta, 

E os cabelos do ar ondulam loucos
Tão compridos que dão a volta ao mundo.

Sento-me ao lado das coisas 
E bordo toda a noite a minha vida 
Aqueles dias tecidos 
Que tinham um ar de fantasia 
Quando vieram brincar dentro de mim. 

E o vento contra as janelas 
Faz-me pensar que eu talvez seja um pássaro.

 Sophia de Mello Breyner 




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